Joaquim Gomes Monteiro nasceu às oito da manhã de 5 de junho de 1893, no lugar
de Vilarinho Seco, freguesia de Alturas do Barroso, concelho de Boticas. Quatro dias
depois foi baptizado na igreja paroquial de Salvador de Eiró, apresentado pela mãe,
Mafalda Gomes, que declarou a hora do nascimento e lhe deu o nome de Joaquim. O pai,
Joaquim Maria Monteiro Chaves, também de Eiró, era comerciante e industrial com negócios
em Ramos, no Rio de Janeiro, onde esteve estabelecido quarenta anos — e só viria a
perfilhá-lo em 1947.
Cresceu praticamente sem pai e sem mãe, e foi ele próprio quem o escreveu, sem
rodeios, na dedicatória do primeiro livro: «Às santas velhinhas da minha terra que
embalaram a minha orfandade orgulhosa». Teve oito irmãos, alguns deles com laços já
frouxos em Boticas.
Cedo foi para o Porto, onde frequentou o Liceu e viveu na Quinta Amarela, à Rua
Oliveira Monteiro. Aos 19 anos começou no jornalismo: em 1912 dirigia A Voz de
Leça e, no ano seguinte, orientava o Notícias de Cantanhede.
A 10 de maio de 1913 assentou praça como voluntário no Regimento de Infantaria
n.º 16. A folha de matrícula deixou o retrato mais concreto que dele existe: 1,63 m de
altura, barba castanha, uma cicatriz do lado esquerdo do pescoço. Seguiu para Angola,
participou nas campanhas do sul da colónia e de lá mandou para O Intransigente
uma reportagem sobre a guerra que rebentara na Europa. A caderneta militar também guarda
quinze dias de detenção, em abril de 1915, «por se envolver em desordem com um
camarada» — que o prefaciador comenta como prova das suas «qualidades de transmontano
de rija têmpera».
Regressado a Lisboa em 1915, entrou para o diário A Situação, onde chegou a
chefe de redacção, passou por O Século e fixou-se no Diário de Notícias.
Dirigiu ainda o jornal Sports e a revista Cine, foi redactor do
ABC e da Ilustração, e em 1939 sucedeu na direcção do
jornal Arquivo Nacional a Rocha Martins, que o tinha fundado. A partir de 1948 assinou alguns escritos como Sérgio de
Montemor.
Morreu a 8 de dezembro de 1950, com 57 anos, na freguesia de S. Sebastião da
Pedreira, em Lisboa. Estava no arquivo do jornal quando a morte o surpreendeu.