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Biblioteca EscolarGomes Monteiro · Boticas Sugestões

Recursos em linha · infografia

1.º de Dezembro de 1640A Restauração da Independência

Durante sessenta anos, os reis de Portugal foram os reis de Espanha. Numa manhã de dezembro, um grupo de nobres entrou no palácio real de Lisboa e, num quarto de hora, Portugal voltou a ter um rei seu.

  • 60 anos com reis Filipes
  • 40 famílias de conjurados
  • 15 minutos, mais coisa menos coisa
  • 28 anos de guerra

Em poucas palavras

  1. Em 1578, o rei D. Sebastião desapareceu na batalha de Alcácer Quibir, em Marrocos. Tinha 24 anos e não deixou filhos.
  2. Em 1580, o rei de Espanha, Filipe II, que era neto do rei português D. Manuel I, tornou-se também rei de Portugal. Começava a União Ibérica: três reis Filipes em sessenta anos.
  3. A 1 de dezembro de 1640, um grupo de nobres portugueses revoltou-se em Lisboa e aclamou rei o Duque de Bragança, D. João IV.
  4. Seguiram-se 28 anos de guerra. Em 1668, pelo Tratado de Lisboa, a Espanha reconheceu a independência de Portugal.

Linha do tempo

De Alcácer Quibir ao feriado de hoje. A cor diz em que parte da história estamos: os Filipes a Restauração a memória

  1. 1578 4 de agosto

    D. Sebastião desaparece em Alcácer Quibir

    O rei leva um exército ao Norte de África. A batalha é um desastre e ele nunca mais é visto. Sobe ao trono o tio-avô, o Cardeal D. Henrique, já idoso.

  2. 1580 31 de janeiro

    Morre o Cardeal-Rei, sem herdeiros

    Há vários candidatos à coroa, descendentes de D. Manuel I. Os mais fortes são Filipe II de Espanha, D. António, Prior do Crato, e D. Catarina, Duquesa de Bragança.

  3. 1580 agosto

    A batalha de Alcântara

    D. António chega a ser aclamado rei por parte do povo, mas o exército espanhol, comandado pelo Duque de Alba, vence-o às portas de Lisboa.

  4. 1581 abril

    As Cortes de Tomar

    Filipe II de Espanha é jurado rei de Portugal, com o nome de Filipe I. Promete manter as leis, os costumes e as liberdades do reino: os dois reinos passam a ter o mesmo rei, mas continuam separados.

  5. 1598 e 1621

    Filipe II e Filipe III

    Sucedem-lhe o filho e o neto. No tempo de Filipe III, o Conde-Duque de Olivares, o seu ministro de confiança, quer juntar os reinos e pede a Portugal cada vez mais impostos e soldados.

  6. 1637 agosto

    A revolta de Évora

    Um imposto novo faz rebentar as «Alterações de Évora». A revolta é dominada no ano seguinte, mas mostra o descontentamento que havia no reino.

  7. 1640 verão

    A Catalunha revolta-se

    Os catalães levantam-se contra Madrid e o rei manda o exército para lá. Era a oportunidade que os conspiradores portugueses esperavam.

  8. 1640 1 de dezembro

    A Restauração

    Por volta das nove da manhã, os conjurados atacam o Paço Real, em Lisboa. Num quarto de hora está feito: o Duque de Bragança é aclamado rei, D. João IV. Vê como foi, passo a passo.

  9. 1640 15 de dezembro

    A aclamação solene de D. João IV

    D. João chega a Lisboa na noite de 6 de dezembro e é aclamado rei numa cerimónia solene. É o primeiro rei da dinastia de Bragança.

  10. 1641 janeiro

    As Cortes de Lisboa

    Os representantes do reino reunidos em Cortes reconhecem o novo rei, que jura governar segundo as leis de Portugal.

  11. 1644 a 1665

    As grandes batalhas

    Montijo, Linhas de Elvas, Ameixial, Castelo Rodrigo e Montes Claros são as cinco grandes batalhas da guerra. Vê onde foram.

  12. 1668 13 de fevereiro

    O Tratado de Lisboa

    A Espanha reconhece a independência de Portugal. Acaba a Guerra da Restauração.

  13. 1886

    O obelisco dos Restauradores

    Em Lisboa, na Praça dos Restauradores, ergue-se um obelisco que lembra as batalhas da guerra.

  14. 1910 12 de outubro

    Feriado nacional

    Logo nos primeiros dias da República, um decreto faz do 1.º de Dezembro feriado nacional, dedicado à autonomia da Pátria Portuguesa.

  15. 2013 a 2016

    Sem feriado… e de volta

    Entre 2013 e 2015, o feriado foi suspenso. A Assembleia da República repô-lo em 2016.

A manhã de 1 de dezembro

Seis passos, da última reunião secreta ao grito de «Viva D. João IV!».

  1. 1

    As reuniões secretas

    Durante meses, os conjurados encontraram-se às escondidas. Eram fidalgos de cerca de quarenta famílias: por isso se chamam os Quarenta Conjurados. A última reunião foi no palácio de D. Antão de Almada, ao Rossio, que hoje se chama Palácio da Independência.

  2. 2

    Um rei para pôr no trono

    Precisavam de alguém com direito à coroa: D. João, Duque de Bragança, que vivia em Vila Viçosa. Era neto de D. Catarina, a candidata de 1580. O Dr. João Pinto Ribeiro fazia a ligação entre o Duque e os conjurados de Lisboa.

  3. 3

    Nove da manhã

    Por volta das nove horas, a um sinal de D. Miguel de Almeida, os conjurados atacam o Paço Real, à beira do Tejo, onde estava a vice-rainha que governava Portugal em nome do rei de Espanha.

  4. 4

    Miguel de Vasconcelos

    O secretário de Estado, o homem que governava o reino às ordens de Madrid, é encontrado escondido num armário. É morto e o corpo é atirado por uma janela para a praça.

  5. 5

    A vice-rainha fica presa

    A Duquesa de Mântua, D. Margarida de Saboia, prima do rei de Espanha, é presa. Já não há quem governe Portugal em nome de Filipe III.

  6. 6

    «Viva D. João IV!»

    Desde o ataque até o Duque de Bragança ser aclamado rei de Portugal passou mais ou menos um quarto de hora. O novo rei estava em Vila Viçosa: só chegou a Lisboa na noite de 6 de dezembro.

Quem é quem

  • D. Sebastião 1554–1578

    O rei que desapareceu em Alcácer Quibir, com 24 anos e sem filhos. Durante muito tempo houve quem esperasse que voltasse.

  • Filipe II de Espanha, I de Portugal 1527–1598

    Neto de D. Manuel I pelo lado da mãe. Foi jurado rei de Portugal nas Cortes de Tomar, em 1581.

  • D. António, Prior do Crato 1531–1595

    Também neto de D. Manuel I. Aclamado por parte do povo em 1580, foi vencido em Alcântara e passou o resto da vida a lutar pela coroa a partir do estrangeiro.

  • D. Catarina, Duquesa de Bragança 1540–1614

    Neta de D. Manuel I e candidata à coroa em 1580. Sessenta anos depois, foi o neto dela que ficou com a coroa.

  • Conde-Duque de Olivares 1587–1645

    O ministro de confiança de Filipe III. Queria juntar os reinos da Monarquia Hispânica, com as mesmas leis e os mesmos impostos.

  • Miguel de Vasconcelos morto em 1640

    Secretário de Estado: governava Portugal às ordens de Madrid. Foi morto na manhã de 1 de dezembro.

  • Duquesa de Mântua vice-rainha

    D. Margarida de Saboia, prima do rei de Espanha, governava Portugal em nome dele. Ficou presa no dia da Restauração.

  • João Pinto Ribeiro conjurado

    Jurista e homem de confiança do Duque de Bragança. Foi uma das cabeças da revolta: fazia a ligação entre Vila Viçosa e os conjurados de Lisboa.

  • D. João IV, o Restaurador 1604–1656

    Duque de Bragança, nascido em Vila Viçosa. Rei de 1640 a 1656. Adorava música: compunha, e juntou uma das maiores bibliotecas de música da Europa, que se perdeu no terramoto de 1755.

  • D. Luísa de Gusmão 1613–1666

    A mulher de D. João IV. Conta a tradição que o convenceu a aceitar a coroa, dizendo que antes queria morrer reinando do que acabar servindo. Depois da morte do rei, governou como regente.

O mapa da guerra

A Guerra da Restauração durou de 1640 a 1668. Quatro das cinco grandes batalhas foram na fronteira do Alentejo, perto de Elvas; a outra foi na Beira, em Castelo Rodrigo.

Mapa da Península IbéricaPortugal e Espanha, com Lisboa, Tomar, Vila Viçosa, Chaves e Boticas, Madrid e a Catalunha, e a batalha de Castelo Rodrigo. O retângulo marca a fronteira do Alentejo, que está ampliada no mapa a seguir.ESPANHAPORTUGALLisboaTomarMadridBarcelonaChavesBoticasCatalunharevolta de 16404
A Península Ibérica. O retângulo é a fronteira do Alentejo, ampliada ao lado.
A fronteira do AlentejoA fronteira entre o Alentejo e a Estremadura espanhola, com as batalhas do Montijo (1), das Linhas de Elvas (2), do Ameixial (3) e de Montes Claros (5), e as terras de Estremoz, Vila Viçosa, Elvas e Badajoz.PORTUGALESPANHAEstremozVila ViçosaElvasBadajoz1235
A fronteira do Alentejo e da Estremadura espanhola.
  1. Montijo — 26 de maio de 1644, perto de Badajoz, já em Espanha. Foi a primeira grande batalha.
  2. Linhas de Elvas — 14 de janeiro de 1659. Os espanhóis cercavam Elvas; o exército do Conde de Cantanhede rompeu o cerco.
  3. Ameixial — 8 de junho de 1663, perto de Estremoz. Vitória portuguesa.
  4. Castelo Rodrigo — 7 de julho de 1664, na Beira, perto da fronteira com Salamanca. Vitória portuguesa.
  5. Montes Claros — 17 de junho de 1665, perto de Borba e de Vila Viçosa. Vitória portuguesa, a última grande batalha da guerra.

Contornos dos países: Natural Earth (domínio público). As fronteiras são as de hoje.

Aqui perto: Chaves

Chaves, a uns vinte quilómetros de Boticas, estava na fronteira com a Galiza. Durante a Guerra da Restauração, a cidade ganhou dois fortes, que ainda lá estão:

  • O Forte de São Francisco, começado em 1644 no monte onde havia um convento franciscano. Hoje é um hotel, e é Monumento Nacional desde 1938.
  • O Forte de São Neutel, construído de 1664 a 1668, no lugar de uma paliçada de madeira. É do Exército; a Câmara usa-o para concertos ao ar livre.

Se fores a Chaves, sobe a um deles e olha para norte: a Galiza fica logo ali.

O feriado

A Restauração foi festejada muito antes de ser feriado. A primeira comemoração oficial foi em 1823, em Belém, com o rei D. João VI. Em 1886 inaugurou-se em Lisboa o obelisco dos Restauradores.

Feriado nacional é desde 1910: um decreto da República, de 12 de outubro, dedicou o 1.º de Dezembro à autonomia da Pátria Portuguesa. Entre 2013 e 2015 esteve suspenso, para se trabalhar mais dias; voltou em 2016, pela Lei n.º 8/2016.

Testa o que sabes

Seis perguntas. Escolhe uma resposta e carrega em «Ver se acertei».

1. Em que ano desapareceu D. Sebastião, em Alcácer Quibir?
2. Onde foi Filipe II de Espanha jurado rei de Portugal, em 1581?
3. Quantos anos tiveram os portugueses reis Filipes?
4. Quem foi aclamado rei a 1 de dezembro de 1640?
5. Que tratado pôs fim à guerra, em 1668?
6. Que cidade perto de Boticas ganhou dois fortes durante a guerra?

Ver as respostas certas

1. 1578 · 2. Tomar · 3. 60 anos · 4. D. João IV · 5. O Tratado de Lisboa · 6. Chaves

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Sobre esta página

Feita pela Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro em outubro de 2026, para o 1.º de Dezembro. Os factos foram confirmados na Infopédia, no RTP Ensina, num texto do historiador José Miguel Sardica (Universidade Católica Portuguesa) e, para as datas das batalhas, dos fortes de Chaves e do feriado, na Wikipédia. Encontraste um erro? Diz-nos pelo botão «Ajuda».

Há outra infografia feita na biblioteca: 5 de Outubro — Implantação da República.